January 17

O Guia Completo da Mountain Bike: Anatomia, História e Modalidades

Seja você um(a) novo(a) entusiasta que quer entender melhor o tema ou um(a) mountain biker que já está no esporte há um tempo e quer explicar para seu marido/esposa/avó/tio o que é mountain bike, você chegou ao lugar certo.

Todos nós sabemos que a bike nos proporciona muitas coisas boas e é difícil encontrar pontos negativos nela: faz bem para o planeta, para o trânsito, nos faz descobrir lugares novos, fazer novas amizades, nos conecta à natureza, nos deixa fortes, saudáveis e funciona como terapia.

Não é à toa que resolvi escrever este guia: Para te ajudar a entender melhor o Mountain Bike, compreender as modalidades e aprender a escolher sua próxima mountain bike.

Boa leitura!

1- O que é Mountain Bike

Mountain bike é uma sub-modalidade do ciclismo praticado fora de estrada. Trilhas, estradões e até mesmo neve e areia são alguns dos terrenos desbravados pelas mountain bikes. Devido a sua enorme flexibilidade, é comum ver mountain bikes pedalando no asfalto – até mesmo em algumas competições no asfalto reservam uma categoria para mountain bikes.

No Brasil, é comum se referir a mountain bike pela sigla MTB. Em Portugal a modalidade é chamada de BTT (Bicicleta todo o terreno) bem como em outros países de língua portuguesa, como a Angola.

A modalidade cresce vertiginosamente pelo mundo todo e hoje vivemos uma avalanche de inovações, tecnologias e fãs entrando no esporte. Porém antes de vermos onde o MTB está e para onde ele vai, é essencial explicar o que é mountain bike contando sua história.

2- A história do Mountain Bike

Como esse é um guia de mountain bike para iniciantes, é fundamental saber de onde esse esporte veio. Lá pelo ano 1817 o mundo mudou. A primeira coisa que se pode ser chamada de bicicleta foi inventada e apresenta em Baden, na Alemanha.

Na época ela foi chamada por seu inventor, Karl von Drais, de Laufmaschine, ou Maquina de Correr/Andar em português.

Laufmaschine bicicleta antiga desenhada com pessoa

É difícil por em palavras o quanto a criação da bike foi um evento importante na história do homem moderno, mas pense assim: até a bicicleta começar a ser fabricada, as pessoas não podiam viajar entre bairros, vilas e povoados sem necessitar de cavalos ou trens – ou a pé.

Se hoje um pedal de 50km pode parecer algo comum, nessa época isso representava ver pessoas de vilas próximas que não se visitava havia meses. Esse “encurtamento” das distâncias causava grande mudanças nas sociedades que começavam a popularizar a magrela.

Porém estamos aqui para falar do mountain bike. E é no final do século 19 que  nossa história começa.

No ano de 1896 um regimento do exército americano realizou uma expedição em alguns estados americanos utilizando bicicletas.

Seria a primeira vez que uma instituição utilizaria a bicicleta fora de estrada. A foto em preto e branco retrata esse momento.

foto de um antigo regimento do exercito de bicicleta


Há indícios de que exércitos de outras nações utilizaram a magrela em exercícios militares antes do momento retratado na foto.

Muitos dizem que é aos suiços que tal feito deve ser atribuido. Mas essa imagem é ainda o primeiro registro fotográfico de tal situação.

Bom, você pode estar pensando que foi assim que nasceu o Mountain Bike, correto? Que daí pra frente um grupo de ciclistas passou a levar as bikes para as trilhas e logo tivemos o nascimento da modalidade, certo?

Errado.

Se por um lado realmente a bicicleta começou a ser utilizada fora de estrada, o que viria após isso seria o surgimento de outra modalidade muito mais antiga que o MTB. Tratava-se do Cyclocross:

O cyclocross nasceu lá pelo ano 1900. Alguns atletas do ciclismo de estrada apostavam “rachas” com os amigos de um jeito bem inusitado: ganhava quem chegasse de uma cidade a outra primeiro. Porém ninguém era obrigado a utilizar as estradas convencionais.

Rapidamente, o cyclocross é também uma submodalidade do ciclismo onde as provas geralmente ocorrem no inverno e outono do hemisfério norte (outubro a fevereiro) e consistem em várias voltas por um circuito de 2km a 5km. O circuito normalmente possui terreno de dificil transposição, com areia, galhos, grama e lama. Muita lama.

Então se algum dia você teve a ideia de que o cyclocross é de alguma forma produto de uma mistura entre ciclismo de estrada e mountain bike, esqueça esse pensamento. O cyclocross nasceu muito antes da primeira mountain bike ter sido inventada.

Mas afinal, quando é que surgiu o mountain bike?

Assim como o samba aqui no Brasil, o macarrão e a aviação, ninguém sabe dizer com certeza em que local e em qual ano ele foi “inventado”. Porém pode-se dizer que ele começou a dar as caras com esse camarada aqui:

geoff apps anuncio da primeira mountain bike


O cara na foto acima é o britânico Geoffrey Apps – Geoff para os íntimos. Foi no ano de 1965 que Geoff começou a modificar bicicletas convencionais de estrada para andarem off-road em sua fábrica Cleland Cycles.

Geoff era tão pioneiro que nessa época já desenvolvia mountain bikes com características que só vimos entrar em larga escala nos últimos anos, como rodas de tamanho 27,5″.

Talvez seja aqui que possamos dizer que a primeira mountain bike foi inventada, certo?

Os norte americanos nos diriam outra coisa…

Do outro lado do Oceano Atlântico, nos anos 70, virava febre adaptar quadros de bikes de estrada, colocar pneus mais largos e meter as magrelas em trilhas e single tracks. California e Colorado foram dois dos principais centros nessa época.

A maioria dos ciclistas que realizava essas adaptações tomava os famosos quadros de bikes Cruisers da Schwinn dos anos 40, 50 e 60 como base e as modificavam:

bicicleta antiga schwinn cruiser apoiada em parede branca

Porém foi só na virada dos anos 70 para os 80 que podemos dizer que as fabricantes de bicicletas passaram a dedicar parte de sua linha de produção exclusivamente para esse novo modelo de bikes vinha ganhando espaço constantemente e clamava por um estilo próprio.

Vários são so nomes nessa época que recebem créditos por terem desenvolvido essa primeira mountain bike. Alguns deles produzindo bikes até hoje como Gary Fisher e Tom Ritchey.

A foto abaixo é a primeira bicicleta com pneu fat produzida sob medida com regularidade, pelo framebuilder Tom Ritchey:

tom ritchey primeira mountain bike frame builder

O que se viu no final dos anos 80 e nos anos 90 foi uma verdadeira explosão no esporte.

Mais e mais fabricantes abriam as portas ou dedicavam seus engenheiros e áreas de suas fábricas para atender o mercado da Mountain Bike.

Os primeiros mega ídolos do esporte começavam a nascer e atrair uma legião de fãs, como Ned Overend, Tinker Juarez e John Tomac – todos presentes na foto:

ned overend tinker juarez e john tomac em prova de mountain bike

Pode-se sim dizer que os anos 90 foram os anos dourados do mountain bike.  Com ciclistas cada vez mais entusiasmados – e malucos – as mountain bikes passaram a ser utilizadas em circunstâncias que até então só motocross eram utilizadas, culminando com o desenvolvimento do Downhill – submodalidade do mountain bike tida até pouco tempo atrás como coisa de doido varrido.

Talvez o ápice tenha sido com figuras insanas como Josh Bender e sua típica suspensão gigante.

mountain biker josh bender com uma mtb de suspensão enorme

Bender foi um dos precursores do Mountain Bike Free Ride e arriscava sua vida em penhascos e desfiladeiros de desertos americanos.

E trazido aqui por tantos nomes importantíssimos do MTB que chegamos aos anos 2000, onde vivemos uma era de inundação de tecnologia que o esporte nunca viu antes.

Essa tecnologia fez com que o esporte se desenvolvesse de diferentes maneiras, criando algumas submodalidades do mountain bike, que é o que veremos em seguida.

3- As modalidades do MTB explicadas

Tanta modalidade de MTB hoje em dia. XCO, Downhill, Enduro, XCM, Freeride, All Mountain, Trail... Antigamente era tudo uma coisa só: Mountain Bike. Hoje mudou. E muito. Cada modalidade de MTB tem seu próprio calendário, seus entusiastas, seus ídolos... e evidentemente que as fabricantes de bike não iriam querer ficar de fora da possibilidade de criar um conceito de bicicleta para cada estilo de MTB.

Porém esse fenômeno é recente – até pouco tempo atrás nem se ouvia muito a palavra Enduro –, então resolvi explicar as diferenças entre as modalidades de Mountain Bike para mostrar as suas diferenças, particularidades e que não é tudo a mesma coisa. Basicamente temos três grandes modalidades de MTB:

Cross Country, Downhill e Enduro e seus “sub estilos”. Vamos conferir cada uma delas a partir de agora.

I. O que é MTB Cross Country 

ciclista praticando mountain bike cross country no rio de janeiro

Resumidamente: MTB Cross Country (ou MTB XC) é uma sub-modalidade do Mountain Bike onde se pedala em trilhas ou estradas de terra, muitas vezes em circuitos, também podendo percorrer longas distâncias. 

Aprofundando:

Há muitos anos, quando o Mountain Bike surgiu nas praias da Califórnia, ele apareceu como se fosse uma adaptação do ciclismo de estrada para pedais off–road, ou seja: Longas distâncias por estradões, trilhas, praias, grama e o que quer que não fosse asfalto.

Aqui no Brasil o Cross Country é certamente a modalidade de MTB mais difundida. Tanto pela oferta de estradões de terra que temos como pela falta de trilhas longas e bem mantidas.

Hoje em dia vemos quadros leves, muitas vezes rígidos e suspensões de curso bem curto. Essa modalidade de MTB pode em teoria ser divida em outras duas:

Mountain Bike XCM 

ciclista praticando mountain bike cross country xcm

XCM quer dizer X=Cross, C=Country, M=Maratona 

Estradas de terra, às vezes trilhas, às vezes asfalto. Provas de mais de 2 horas de duração por um circuito beeem longo e não chega a dar mais de uma volta. Essa é a descrição para o XCM. Para circuitos fechados onde se dá 3, 5, 10 voltas ou até mais, então estamos falando de outra modalidade de MTB: O XCO.

Mountain Bike XCO

ciclista praticando mountain bike cross country xco em sessão com rock garden

XCO quer dizer X=Cross, C=Country, M=Olímpico

O XCO é irmão caçula do XCM. Nasceu quando o estilo foi introduzido e ganhou popularidade no circuito olímpico. Dizer “pratico XCO” é sinônimo de estar em single tracks dando voltas em um circuito fechado na maior parte do tempo.

Com o passar dos anos, trechos cada vez mais difíceis com sessões de Rock Garden (como na foto), subidas íngrimes e descidas rápidas e técnicas começaram a fazer parte do Cross Country. Difícil e técnico, porém não chega aos pés da nossa próxima modalidade de MTB.

II. O que é MTB Downhill

Resumidamente: MTB Downhill é uma sub-modalidade de mountain bike onde os ciclistas precisam percorrer trilhas de terra de alto nível técnico em descidas.

Aprofundando: O Downhill Mountain Bike é o ápice da adrenalina sobre duas rodas. O próprio nome já indica o que o ciclista vai fazer: Descer o morro. Descer o mais rápido possível. As bikes de DH são umas das poucas onde o aro 26’ ainda é bem difundido. Os pneus são muito mais “cravudos” e sua largura também maior. 

Os circuitos de Downhill são extremamente técnicos e pilotagem para poucos. Os ciclistas vestem uma verdadeira armadura com capacete fechado, joelheiras, cotoveleiras, caneleiras e luvas mais protegidas que no XCO e no XCM.

ciclista praticando downhill uma modalidade de mtb em competição

Além disso, diferentemente do Cross country, numa competição de Downhill larga um ciclista de cada vez, em percursos de no máximo 10 minutos de duração contra horas do XCO ou XCM.

Uma sub-categoria do Downhill é o MTB Freeride.

ciclista praticando mountain bike downhill freeride em circuito

As bikes de Freeride são muito semelhantes e o estilo repleto de adrenalina também. As diferenças principais estão no estilo de pilotagem. Como a foto indica, é algo mais voltado para manobras radicais, saltos e aterrissagens incríveis. Tão extremo quanto o DH, mas de um jeito mais “acrobático”, vamos dizer.

III. Enduro/ Trail/ All Mountain

O Enduro ou All Mountain ou Trail. Há uma confusão enorme na hora de diferenciar enduro de all mountain, por sinal. Muitos dizem que Enduro é a forma competitiva do All mountain. Eu não entrarei nesse debate. Só deixarei aqui um link para uma discussão no fórum do mtbr.com que o pessoal descasca o verbo tentando diferenciar Enduro de All Mountain.

Enfim. Difícil dizer se a bike acima é de DH ou XC, não é? As bikes de Enduro/All Mountain são ideais para quem pega subidas longas e técnicas e também desce ribanceiras de tirar o fôlego. É o ponto exato entre Downhill e Cross Country. O meio termo. O centro da Balança.

Competitivamente, essa modalidade de MTB envolve descidas quase tão arriscadas quanto o Downhill, porém os competidores também necessitam pedalar longas distâncias para descer mais uma vez.

4- A anatomia da Mountain Bike 

É importante citar que existem vários tipos de mountain bikes, cada uma atendendo uma prática diferente da modalidade. Atualmente são três os estilos mais populares:

MTB XC downhill e enduro em perfil
  • A bicicleta da esquerda é uma de Cross Country.
  • A da direita é uma de All Mountain/Enduro.
  • A de baixo é uma bicicleta de Downhill.

Aqui tomarei como base aqui a bicicleta de Cross Country pois é o estilo mais popular atualmente – pelo menos no Brasil:

anatomia da mountain bike

A MTB pode ser dividida, basicamente, em Sete grandes grupos:

  1. Quadro
  2. Suspensão
  3. Rodas
  4. Pneus
  5. Transmissão
  6. Freios
  7. Demais componentes

Vamos falar de cada uma dessas partes a seguir.

1. Quadro

A parte mais importante de uma bicicleta, o quadro é a primeira coisa que você precisa escolher quando vai comprar uma nova bike. Isso porque ele tem tamanhos diferentes e formatos diferentes, que no esporte chamamos de geometria.

Normalmente o tamanho de um quadro de mountain bike é definido por números como 15, 17, 19 e 21.

Um quadro de mountain bike moderno geralmente tem como principal material o alumínio. Bikes mais leves – e mais caras – usam quadros fabricados em fibra de carbono. Alguns quadros de Cross Country podem ter um sistema de suspensão traseira, como nesse exemplo:

quadro full suspension de mountain bike cross country da specialized branco na floresta

Nesse formato, a bicicleta possui absorção de impactos tanto na roda traseira quanto na dianteira. Mas além do formato do quadro, há outro tema super importante: o material, que normalmente são fabricados em alumínio ou fibra de carbono, como veremos a seguir.

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fernando cintra de frente para uma rota de mountain bike e cicloturismo com um rio ao fundo

1.1. Alumínio

Quadros de alumínio compõem maior parte da oferta de quadros de mountain bike. E não é à toa: é um material muito fácil de ser manuseado na produção e também significantemente barato de ser fabricado.

Quando quadros de alumínio começaram a ser fabricados, seu desenho obedecia exatamente as mesmas especificações de fabricação de um quadro de aço, porém o quadro de alumínio tinha somente 1/3 de sua resistência.

Com o passar dos anos, os quadros de alumínio receberam inúmeras melhorias, sendo reforçados onde realmente era necessário e suavizados em partes não tão demandadas numa pedalada.

mountain bike de aluminio anos 90
Detalhe do tubo da caixa de direção do quadro da Niner Air 9 2020

É importante dizer que os quadros de alumínio da atualidade contém outros elementos em sua composição, como magnésio, ferro, cromo, zinco, entre outros. A fabricação de um quadro de alumínio é um processo muito mais rápido que o do de fibra de carbono. Basicamente todos os tubos do quadro são construidos em série, cortados e depois unidos por solda.

1.2 - Fibra de Carbono

Os quadros de fibra de carbono começaram a ganhar popularidade há pouco tempo. Foi em 1998 que o mítico Marco Pantani se tornou o último ganhador da história do Tour de France utilizando uma bicicleta com quadro de alumínio.

De lá pra cá, todos os ganhadores pedalaram em bicicletas com quadros de fibra de carbono.

Como os grandes Tours são grandes celeiros de testes de tecnologias, empresas começaram a viabilizar a construção de quadros de fibra de carbono no mountain bike, também. A novidade pegou e hoje os atletas de ponta correm com bikes nesse material.

Porém você já se perguntou o que é fibra de carbono? Eis uma foto delas formando o que seria futuramente um quadro:

construção de quadro de mountain bike em fibra de carbono parte 1

Construção do tubo da caixa de direção de um quadro de fibra de carbono da Allied Cycleworks fonte: cyclingtips.com

construção de quadro de mountain bike em fibra de carbono parte 2

Filamentos de fibra de carbono, posteriormente cortados a laser Fonte: cyclingtips.com

A fibra de carbono é basicamente um tecido com filamentos de carbono. Entrelaçadas em uma forma de rede, elas se tornam um dos melhores materiais que se tem conhecimento quando fazemos a comparação peso vs. resistência vs. facilidade de produção.

Para fabricar um quadro, as fibras são “costuradas” e por isso não vemos soldas e marcas de conexão no quadro como vemos no alumínio.

Vale dizer também que quem fabrica a fibra em si não são Trek, Cannondale e cia. Existem 5 grandes fabricantes de fibra de carbono – todas localizadas na Ásia – que vendem para todas as grandes montadoras de bike.

A produção dessas fabricantes é tão monstruosa que a mesma fornecedora de fibra de carbono da Felt, por exemplo, é a que fornece para a Boing e Airbus. Em outras palavras: o que dita a qualidade do quadro não é a fibra – pois todas vêm praticamente do mesmo fornecedor – mas sim quem a monta.

1.3 - Cromo–molibdênio

bombktrack cale mountain bike em quadro de aço cromo molibdenio

Mais conhecidos como quadros de cromoly, esse tipo de material reinou na fabricação das bicicletas das décadas de 80 e 90. Com o surgimento de novos materiais e novas tecnologias, o cromoly passou a ser substituído pelo alumínio e pela fibra de carbono.

Porém ainda há marcas que fabricam mountain bikes – entre outros tipos de bicicleta – com cromoly, pois as características principais desses quadros são o conforto e a extrema durabilidade, mas são mais pesados que bons quadros de alumínio e fibra de carbono.

Por esse motivo, a maioria dos framebuilders e as fabricantes que trabalham com esse material, focam em nichos que não necessitam da bicicleta mais leve do mundo, mas não abrem mão do conforto, da durabilidade e da estética de uma bicicleta fabricada em cromo–molibdênio.

2- Suspensão/Garfo

suspensões dianteira s de mountain bike perfiladas

No Brasil chamamos o item acima de suspensão, mas podemos nos referir a essa peça por ‘suspensão dianteira’ (já que existe a traseira) e também de garfo.

Mas, veja, se você disser “o garfo da minha bicicleta” a maioria das pessoas entenderá que você está falando de um garfo rígido. Garfos rígidos não possuem sistema de absorção de impacto, exceto pela flexão natural do material – os garfos rígidos de alumínio, neste caso, são os menos flexíveis.

A função básica da suspensão é realizar a leitura das irregularidades do terreno para proporcionar descidas e pedaladas com mais controle e menos fadiga nos braços.

As suspensões atuais possuem tanta tecnologia que seria necessário fazer um livro ou um artigo longo para falar apenas da anatomia, das propriedades e das tecnologias das suspensões modernas. Aqui vamos nos atentar ao básico.

anatomia de uma suspensão de mountain bike

Na maioria das suspensões, normalmente cada uma das pernas (esquerda ou direita) exerce uma função: uma de compressão – damper – e a outra de amortecimento – mola.

A função da mola é fazer com que a suspensão retorne à posição original. Já o damper tem o papel de controlar o retorno da mola. 

Sem o damper, a mola faria com que a suspensão desse solavancos bruscos a cada impacto. Isso faria a bicicleta quicar, o que é potencialmente perigoso para quem está pedalando. Por isso, no lado do damper, existe um regulador de retorno, que controla a velocidade com que a suspensão volta à posição inicial.

Em alguns modelos existem travas, como na imagem acima. A função desse recurso é, literalmente, travar a suspensão. Isso possibilita que, em uma subida ou em um sprint, a energia da pedalada não seja dissipada e desperdiçada pela suspensão, tornando a transmissão da força mais eficiente.

3- Rodas de Mountain bike

três rodas de mountain bike num gramado aro 26 29 e 27,5

As rodas, depois do conjunto quadro e garfo, são as peças mais importantes da bicicleta, porque exercem papel estrutural importantíssimo no conjunto. Isso significa que a rigidez, a resistência, a leveza e a absorção de impactos fazem uma enorme diferença na bicicleta como um todo.

Uma questão importante neste tópico é o tamanho do aro da roda: Nos anos 80 e 90 o tamanho de aro de 26” reinava absoluto. Em 2006 passou–se a produzir em escala rodas de mountain bike de tamanho 29” – cujo diâmetro do aro é o mesmo das bicicletas de estrada: 700c.

 O assunto é tão longo que merece ser abordado mais a fundo e com cautela, para que não restem dúvidas. Neste capítulo vamos nos ater ao básico e que atende às necessidades de mountain bikers na hora de escolher um pneu.

Em outras palavras: As rodas de 29” predominaram porque o diâmetro maior facilita a transposição de obstáculos nas trilhas e nos estradões.

As rodas são compostas basicamente das seguintes partes:

anatomia de rodas de mountain bike com uma roda descrita por 5 pontos
  1. Pneu - pode vir com câmara ou sem (tubeless)
  2. Aro - onde é instalado o pneu
  3. Raios - Conectam os aros aos cubos
  4. Cubo - responsável pela rotação da roda
  5. Eixo - fixa a roda ao quadro e ao garfo

A seguir, vamos falar do pneu, componente que merece atenção especial na escolha dependendo do uso e solo em que a bicicleta fará suas aventuras.

4- Pneus

Ainda dentro do tema Rodas, precisamos ver Pneus separadamente, por ser de grande importância e que varia muito de tipo, formato, composição, principalmente dentro de cada sub-modalidade.

Os pontos mais importantes a se observar dentro de pneus são:

I. Talão

dois pneus com talao diferente kevlar e aramida flexivel

Pneus podem vir com sua borda lateral – também chamado de talão – em kevlar ou aramida. A verdade é que o Kevlar é um composto de aramida, porém com diferenças estruturais que o tornam mais flexível que o que costumamos chamar de “aramida” no MTB. 

As diferenças principais entre os dois modelos é que o Kevlar, além de um pouco mais leve, pode ser dobrado.

II. Largura

duas mountain bikes pneu plus size e normal

A largura dos pneus é medido em polegadas, como por exemplo: 2.2”, 2.0”, 1.95”, etc. Normalmente você vê a dimensão do pneu como apresentado na foto acima. Uma roda aro 29” com um pneu 2.2” viria assim: 29x2.2”

Quanto menor a largura, mais rápida a rodagem, porém também menos aderência o pneu terá com o solo. Por outro lado, quanto mais largo, maior a resistência do pneu na rodagem, o que o torna mais estável e consequentemente mais lento.

III. Banda de rolagem

banda de rodagem de diferentes pneus

Talvez esse seja o aspecto mais importante na escolha de um novo pneu. A banda de rodagem – faixa do pneu que fica em contato com o solo a maior parte do tempo – varia muito dependendo de sua função.

Um pneu de bike de estrada, por exemplo, possui uma banda completamente lisa, já que o asfalto se encarrega de manter a aderência do pneu com o solo. 

No mountain bike, entretanto, o traçado varia muito.Ora estamos em um estradão duro e suave, ora estamos numa descida de cascalho escorregadio. De modo geral, os pneus de mountain bike podem ser divididos em: rápidos, intermediários e gravity. Na imagem acima você pode constatar os três.

IV. Tubeless

pessoa instalando tubeless em pneu de mountain bike

Pneus Tubeless nada mais são do que pneus sem câmara de ar dentro. Eles também vêm com um líquido selante anti–furos, que veda perfurações no pneu em questão de segundos. Existem muitos pneus que acompanham a marca “Tubeless” na lateral, para indicar que foi criado justamente para atender a essa tecnologia.

Algumas rodas aceitam a conversão para tubeless, mas o ideal é utilizar rodas apropriadas para essa tecnologia.

A vantagem do tubeless é poder utilizar pressões mais baixas, o que aumenta a tração em determinadas condições e evita os furos provocados comuns na câmara de ar quando o aro se choca contra o obstáculo. Além disso, elimina o peso das câmaras, deixando a roda mais leve.

5- Transmissões

O papel da transmissão, como o nome diz, é transmitir a força exercida pelo(a) ciclista para a roda traseira, o que resulta em rotação.

A força no pedal faz a pedivela girar e a tração é passada para a roda traseira através da interface das coroas, da corrente e do cassete. Para que você entenda melhor o nome e a função de cada peça, veja a seguir

transmissão de uma mountain bike em perfil com letras indicando cada componente

A transmissão de uma bicicleta envolve as seguintes peças:

A- Pedivela

É o conjunto dos dois braços onde são instalados os pedais. O lado direito da pedivela, ou braço direito, é onde ficam instaladas a coroas. Já a outra parte é chamada de braço esquerdo. Pedivela é uma palavra feminina assim como a manivela. O certo é ‘A pedivela’.

B- Movimento central

É a peça que conecta a pedivela ao quadro da bicicleta. Existem inúmeros padrões, desde os modelos que são rosqueados no quadro até os rolamentos que entram sob pressão. Variam em comprimento, diâmetro, tipo de rolamento, etc. Os modelos mudam de acordo com o fabricante e o tipo de uso da bicicleta, mas isso é assunto para outro momento.

C- Cassete/catraca 

É a engrenagem que fica encaixada no corpo livre (freehub) do cubo da roda traseira. Pode ter de 6 a 12 pinhões (velocidades). Quando se diz catraca, estamos nos referindo aos modelos mais simples, de 6 ou 7 velocidades, que são rosqueados diretamente no cubo.

D- Câmbios

O câmbio traseiro é o que mais trabalha, descarrilhando (desviando) a corrente entre os pinhões do cassete. O câmbio dianteiro muda a corrente entre as coroas da pedivela. Vale ressaltar que muitas bicicletas estão sendo montadas com pedivela único (apenas 1 coroa), o que implica na inexistência do câmbio dianteiro.

E- Corrente

A corrente da bicicleta é vendida por modelos que variam de acordo com o número de pinhões (velocidades) no cassete. Ou seja, se há um cassete de 11 velocidades, a corrente deve ser especial para um cassete de 11 velocidades.

F- Trocadores

Também conhecidos como passadores ou mudadores: são comandos presos ao guidão que fazem você – adivinhe só – passar a marcha. Elas que vão acionar os câmbios para mudar a corrente de coroa. Uma bicicleta que não tem câmbio dianteiro terá portanto só terá um passador – o traseiro.

Kit, Grupo, Relação ou Transmissão?

Este conjunto todo conhecido como transmissão, também é chamado de kit, de grupo, ou de relação. Kit e grupo são a mesma coisa; e relação, na verdade, refere-se à combinação de marchas entre coroas e cassete.

Quando alguém pergunta que relação você usa, essa pessoa quer saber quantos dentes tem a(s) coroa(s) da sua pedivela e quantos dentes tem o menor e o maior pinhão do seu cassete.

A relação pode ser escrita assim: 34/11–50

Traduzindo: “pedivela único – ou 1x (one by) – de 34 dentes e cassete com menor pinhão de 11 dentes e maior com 50 dentes”

Existem atualmente duas grandes marcas de componentes de transmissão de bicicleta, a Sram e a Shimano. Cada uma oferece componentes que equipam desde bicicletas de iniciantes até as mais sofisticadas de competições de nível mundial.

6- Freios

Falaremos de freios de Mountain Bike dividindo o tema da seguinte maneira:

  • Freios de aro;
  • Freios a disco;

I- Freios de Aro

freio v-brake de aro em mountain bike antiga

Via de regra, um sistema de freio de aro conta com sapatas de frenagem que ao serem acionadas por um cabo de aço ligado ao manete (alavanca de freio), entram em contato com o aro e desaceleram a bicicleta. Essas sapatas normalmente são fabricadas com borracha e outros tipos de resinas.

Os freios de aro de mountain bike mais comuns são os freios V–Brake e os freios Cantilever.

Os V–Brakes são freios muito populares e são encontrados em mountain bikes novas de entrada. Já os Cantilever praticamente caíram em desuso, sendo ainda populares em algumas bicicletas de ciclocross ou de estrada mais econômicas.

II- Freios a Disco

freios a disco em detalhe

Os freios a disco, como o próprio nome diz, freiam a partir da compressão do disco (rotor de freio) através de pastilhas acionadas por meio de uma pinça (caliper). 

Os freios a disco podem vir em dois formatos: os freios mecânicos e os freios hidráulicos. O princípio é exatamente igual para os dois. O que muda é a tecnologia de acionamento da pinça.

De maneira mais simples: no freio mecânico, o cabo puxa a pastilha contra o disco. No hidráulico, a pressão empurra as pastilhas contra o disco.

Mesmo que o princípio seja parecido, o sistema hidráulico é muito mais eficiente que o mecânico.

V- Outros componentes

Por fim, temos uma série de outros componentes da bicicleta.

Selim

Um dos principais pontos de contato do(a) ciclista com a bicicleta, o selim é peça fundamental para que a experiência de pedalar seja a mais próxima do perfeito.

Bikefitters – profissionais especializados em ajustar a bicicleta para quem pedala – dizem que um bom selim é aquele que você não lembra que existe.

Como cada ciclista, seja recreativo, atleta de final de semana ou profissional da elite, tem as suas especificidades de posição, anatomia e preferência, é fundamental que o selim seja adequado para cada tipo de uso. Para isso, a melhor opção é buscar uma loja ou profissional especializado para entender qual o melhor tipo de selim que se adapta às necessidades de cada um.

Canote

Esta é a peça responsável por conectar o selim ao quadro da bicicleta. Podem ser fabricados em alumínio, fibra de carbono ou scandium.

Guidão

guidão de mountain bike

Disponível em diversos tamanhos, ângulos e formatos, a escolha do guidão vai variar de acordo com as preferências da ciclista, idealmente ajustados ao fit que mais se adeque à postura de quem pedala.

Nesta peça são instalados todos os comandos da bicicleta: alavancas de câmbio, manetes de freio, controle de suspensão, campainhas, manoplas, etc.

As manoplas, vale ressaltar, é onde você segura a bike. Cada ciclista tem a sua preferência por manoplas. Existem modelos de espuma, EVA, silicone, borracha, anatômicos, macios, rígidos. O importante para a escolha da manopla é que o ciclista e a ciclista sintam-se confortáveis e com controle da bicicleta.

Mesa

A mesa da bicicleta é responsável por conectar o guidão ao garfo da bicicleta. Também é chamada de "avanço" em alguns lugares

Pedais

Onde vão os pés. O modelo vai variar de acordo com a modalidade praticada e a preferência do ciclista, mas, basicamente, existem dois tipos de pedal para Mountain Bike: os modelos plataforma e os modelos clipless, onde é necessário utilizar uma sapatilha com taquinhos para fixar o pé da atleta ao pedal.

5- Escolhendo sua primeira mountain bike

Baseado nisso que você acaba de ler, já tem mais autoridade pra escolher sua primeira bike. Se você já está procurando uma MTB de nível iniciante, eu convido você a ler outro artigo que tenho aqui no meu site: top 7 mountain bikes para iniciantes.

Enfim, se as bicicletas de hoje são assim, como seriam as mountain bikes do futuro?

6- O futuro do mountain bike

Abaixo listo 4 das maiores tendências para os próximos anos, para que esse guia de mountain bike para iniciantes não te deixe na dúvida do que está acontecendo de novo.

Bicicletas Plus Size

duas mountain bikes pneu plus size e normal

Há alguns anos houve uma febre acerca das chamadas Fat Bikes, mountain bikes com pneus extremamente largos que inicialmente foram criados para enfrentar neve, areia e afins.

Elas chegaram a ganhar popularidade no MTB mas logo viu-se que poderiam passar de algo divertido para algo realmente padrão de mercado se houvesse uma pequena diminuição no tamanho colossal de seus pneus: assim nasciam as Plus Size.

Plus size é a da direita.

Ao contrário do que se pensou por muito tempo – de que bikes de cross country precisam ter pneus estreitos – as Plus Size vêm com pneus de até 3.4″ de largura contra 2.2″ das bikes atuais. Você descobre que a bike é uma Plus size quando vê o diâmetro de sua roda com um “+” na frente (27,5+, por exemplo).

Essas bikes vêm ganhando mais e mais popularidade e devem ser o modelo predominante no mercado nos próximos 10 anos.

Transmissão eletrônica

Uma tecnologia até então presente somente em conjuntos (bem) mais caros das fabricantes de componentes de bikes, como SRAM e Shimano.  A ideia aqui é que você passe a mudar de marchas sem que haja cabos ligando seu passador ao câmbio.

Ou seja, não é uma troca mecânica ou hidráulica, é eletrônica mesmo.

A tecnologia é ainda muito cara e necessita leves aperfeiçoamentos. Dentro de uns, de 10 anos, porém, deverá estar por toda parte.

Canote hidráulico/retrátil

alguns canotes hidraulicos

Talvez essa não seja uma das maiores tendências, mas certamente é uma bem legal. O canote, como visto acima, é a peça da bike que sustenta o selim. E quando você começar a encarar trilhas com descidas mais íngrimes, logo verá que seria muito melhor se seu banco estivesse mais baixo.

Para deixá-lo assim, temos que descer da bicicleta, soltar a abraçadeira, descer o banco só para elevá-lo novamente quando a descida acabar.

Em nível amador isso até é aturável, porém no competitivo não há tempo para essas paradas. Assim que nasceu o canote hidráulico/retrátil:

Ele basicamente é uma peça com um controle remoto que, ao ser acionado, abaixa seu banco – exatamente como uma cadeira de escritório faria. Para praticantes de All Mountain/Enduro  essa tecnologia é uma maravilha e muitas mountain bikes – até mesmo de cross country – já estão vindo com essa peça de fábrica.

Elas ainda são caras e de difícil manutenção então realmente é algo que devemos ver mais pra frente.

E-bikes

e

Mostrando que a entrada de componentes eletrônicos veio pra ficar no mundo do MTB.

Quem disse que pedalar com um pequeno “ajudante” é chato? As e-bikes, ou bicicletas elétricas, vêm ganhando espaço a cada ano e sua tecnologia aprimorada.

Elas não pedalam por você nem tem acelerador, mas ajudam naquela subida mais chata onde você só queria subir para poder descer do outro lado.

Além disso, é ideal para quem pedala com alguém com um nível inferior ao seu – ou se você tem um nível inferior a de quem pedala com você. É uma forma muito legal das pessoas manterem o mesmo ritmo e aproveitarem igualmente o pedal.


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